Segundo médico veterinário, responsável pelos trabalhos, os bichos foram mortos porque o resgate deles não era possível. Outros foram alimentados e hidratados.

A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil de Minas Gerais informou que “existem animais que não reúnem condições para resgate com vida em decorrência do estado e características do local do desastre” após a tragédia em Brumadinho (MG). Em nota divulgada nesta terça-feira (29), o órgão afirma que “para esses casos, uma equipe de veterinários está apta a realizar a eutanásia por meio de injeção letal”.

O comunicado diz ainda que “em nenhum momento houve autorização por parte do Gabinete Militar do Governador/coordenadoria Estadual de Defesa Civil para o abate de animais aleatoriamente ou por meio de métodos em desacordo com as normas”.

Também em nota, a Polícia Rodoviária Federal, que atua no local da tragédia, informou que, nesta segunda-feira (28), uma de suas equipes sobrevoou a região à procura de animais. “Seguindo os protocolos estabelecidos para este tipo de situação, a equipe estava acompanhada de veterinários que faziam análise e triagem dos casos”, diz o texto.

O comunicado cita que “lamentavelmente, durante a triagem dos animais, foram encontrados três casos específicos de bovinos atolados na lama, em estado de exaustão e com fraturas de membros”. “Após análise da equipe veterinária, considerando a impossibilidade de adoção de outras medidas, foi tomada a decisão pela eutanásia daqueles animais. O procedimento foi orientado e supervisionado pela equipe veterinária sob a coordenação do comando da operação de resgate.”

Nesta terça, o tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, afirmou que “em alguns casos, o resgate não é viável pelo sofrimento do animal”.

“É mais interessante optar pela eutanásia. No caso de alguns animais, que sofreram fraturas e perfurações, não é ético insistir”, disse Aihara. “Seguimos as determinações e normativas. O abate só é feito após uma análise bastante cuidadosa e quando é devidamente autorizada. Via de regra, é feito com injeção letal, mas outras situações específicas devem ser analisadas. O Corpo de Bombeiros tem essa preocupação também.”

Animais resgatados

Até o momento, mais de 26 animais foram resgatados e estão recebendo cuidados. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e outros órgãos acompanham. A Defesa Civil afirma que eles são levados a um sítio da região, onde recebem tratamento, alimentação, medicamentos e são assistidos por veterinários.

A Defesa Civil de Minas Gerais informa que há animais vivos nas áreas afetadas. “Eles estão recebendo alimentação, água e cuidados, até que seja possível resgatá-los”, diz o comunicado.

A tragédia em Brumadinho

A tragédia foi provocada pelo rompimento de uma barragem da mineradora Vale em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Até o momento, há 65 mortes confirmadas – 31 vítimas foram identificadas. Autoridades dizem que a quantidade de mortos deve aumentar. Há também 288 pessoas desaparecidas.

A barragem de rejeitos, que ficava na mina do Córrego do Feijão, se rompeu na sexta-feira (25). O mar de lama varreu a comunidade local e parte do centro administrativo e do refeitório da Vale. Entre as vítimas, estão moradores e funcionários da Vale. A vegetação e rios foram atingidos.

Números da tragédia

  • 65 mortos confirmados – 31 identificados
  • 288 desaparecidos
  • 192 resgatados
  • 390 localizados

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Resgate dos animais

A justiça determinou na segunda-feira (29) que a Vale iria fazer o resgate dos animais atingidos. Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), a mineradora deve contratar ou fornecer “equipe capacitada, medicamentos, alimentos, maquinários e todo e qualquer meio adequado ao resgate, acolhimento e tratamento dos animais agonizantes”.

O trabalho deve ser feito paralelamente e não deve atrapalhar de forma alguma a atuação dos bombeiros no resgate das vítimas humanas. A juíza ainda estipulou multa diária de R$ 50 mil e incursão no crime de desobediência em caso de descumprimento.

Mesmo cinco dias após o rompimento da barragem, muitos animais ainda estão vivos nos escombros do desastre, em meio à lama. Na segunda, uma vaca passou o dia do lado dos bombeiros, enquanto eles trabalhavam no resgate de corpos, no local onde foi encontrado um ônibus soterrado.

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